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UE planeja "muro antidrones" após série de sobrevoos em bases militares
Governo dinamarquês acusa Rússia de "ataque híbrido"; Moscou nega envolvimento e classifica episódios como "provocação encenada".
Europa
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■   Bernardo Cahue, 27/09/2025

Uma série de sobrevoos de drones não identificados sobre instalações militares e aeroportos na Dinamarca nas últimas semanas levou o governo do país a acusar a Rússia de conduzir um "ataque híbrido". A União Europeia (UE) reagiu e decidiu priorizar a criação de um "muro antidrones" para proteger suas fronteiras e infraestruturas críticas.

Na noite de sexta-feira (26 de setembro de 2025), um ou dois drones foram observados sobre a maior base militar da Dinamarca, localizada em Karup, por várias horas. A intrusão levou ao encerramento temporário do espaço aéreo civil na região. Este foi o episódio mais recente de uma sequência que começou em 22 de setembro, quando o aeroporto de Copenhaga teve seu tráfego aéreo interrompido por quase quatro horas devido à presença de drones de "grandes dimensões", num incidente classificado pela primeira-ministra Mette Frederiksen como "o ataque mais grave contra uma infraestrutura crítica" do país.

Padrão de ataques e suspeitas

As autoridades dinamarquesas descrevem os operadores dos drones como um "agente profissional" ou "ator profissional", com grande capacidade técnica. Os drones aparecem de diferentes direções, acendem e apagam suas luzes e permanecem sobrevoando as áreas restritas por horas, demonstrando um padrão coordenado.

A primeira-ministra Mette Frederiksen foi direta ao afirmar que a Rússia é a principal suspeita. "Há um país que representa uma ameaça à segurança da Europa, e esse país é a Rússia", declarou. O governo dinamarquês enquadra esses incidentes como "ataques híbridos", que têm como objetivo "semear o medo, criar divisões e nos assustar", nas palavras do ministro da Justiça, Peter Hummelgaard.

Resposta europeia e negação russa

Perante a ameaça, os países da UE decidiram agir. Ministros da Defesa do bloco concordaram, na sexta-feira (26), que a criação de um sistema de defesa aérea para detectar e neutralizar drones é uma prioridade.

  • Muro antidrones: A iniciativa, chamada de "muro antidrones", visa aprender com as lições da guerra na Ucrânia e construir uma defesa coordenada.
  • Reforço alemão: O ministro da Defesa da Alemanha, Alexander Dobrindt, afirmou que o Exército alemão tomará medidas para se defender dessa ameaça, que considera elevada.
  • Apoio sueco: A Suécia fornecerá sua tecnologia antidrones para garantir a segurança de uma cúpula de chefes de governo europeus em Copenhague na próxima semana.

Moscou, por sua vez, rejeitou "firmemente" qualquer envolvimento nos incidentes. A Embaixada da Rússia na Dinamarca classificou os eventos como uma "provocação encenada". O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, chamou as acusações anteriores de "infundadas".

Cronologia da crise

Os sobrevoos de drones na Dinamarca fazem parte de um contexto mais amplo de tensão na Europa :

  1. 22 de setembro: Aeroportos de Copenhaga (Dinamarca) e Oslo (Noruega) fecham devido a drones.
  2. 23 de setembro: Primeira-ministra dinamarquesa classifica o incidente em Copenhaga como um grave ataque à infraestrutura crítica.
  3. 24 de setembro: Aeroporto de Aalborg, no norte da Dinamarca, é fechado pela segunda vez na semana pelo mesmo motivo.
  4. 26 de setembro: Drones são avistados sobre a base militar de Karup, a maior da Dinamarc .

Com informações de: G1, SIC Notícias, DW, Noticias ao Minuto, CNN Brasil, Euronews, Observador, Veja. ■

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