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Jimmy Kimmel retorna à TV e defende liberdade de expressão após suspensão
Apresentador fez monólogo emocionado em meio a pressões políticas; programa foi censurado em mais de 50 estações de TV nos EUA
America do Norte
Foto: https://media.cnn.com/api/v1/images/stellar/prod/177530-0523.jpg?c=original&q=w_860,c_fill
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■   Bernardo Cahue, 24/09/2025

O apresentador Jimmy Kimmel retornou ao ar na noite desta terça-feira (23) após uma semana de suspensão pela ABC, emissora controlada pela Disney. O programa foi tirado do ar após comentários de Kimmel em seu monólogo sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, que geraram críticas de autoridades do governo Trump.

Em um monólogo emocionado, Kimmel abordou diretamente a polêmica. "Não era minha intenção menosprezar o assassinato de um jovem", disse, visivelmente emocionado. "Não acho que haja algo engraçado nisso. Nem era minha intenção culpar um grupo específico pelas ações do que era obviamente um indivíduo profundamente perturbado".

Apesar do tom conciliatório em relação ao caso específico, Kimmel usou seu retorno para fazer uma defesa firme de um princípio fundamental: a liberdade de expressão.

"Este programa não é importante. O que é importante é que podemos viver em um país que nos permite ter um programa como este", declarou o comediante, recebendo aplausos prolongados do público. Ele contou que conheceu comediantes de países como Rússia e nações do Oriente Médio que "seriam jogados na prisão por fazerem piada com aqueles no poder". Eles, segundo Kimmel, sabem "o quanto temos sorte aqui. Nossa liberdade para falar é o que eles mais admiram neste país".

O apresentador também alertou sobre os riscos para a imprensa livre, afirmando ao público: "É tão importante ter uma imprensa livre, e é uma loucura que não estejamos prestando mais atenção a isso".

Censura em cadeia nacional

A volta de Kimmel não foi vista em todo o território americano. Dois grandes grupos donos de emissoras afiliadas à ABC, a Nexstar e a Sinclair, decidiram não transmitir o programa. Juntos, eles controlam cerca de 70 estações locais, o que significa que o programa foi censurado em aproximadamente 20% do país, incluindo mercados importantes como Washington D.C., Seattle e Nashville.

Kimmel ironizou a situação durante o programa: "Estamos ainda no ar na maior parte do país, exceto, ironicamente, em Washington, D.C., onde fomos preteridos".

O contexto político da suspensão

A suspensão do programa na semana anterior ocorreu em um clima de forte pressão política. O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, indicado por Trump, havia sugerido publicamente que as afiliadas da ABC que transmitissem o programa poderiam correr riscos com suas licenças de operação.

Especialistas em políticas de mídia apontam que a estratégia de pressionar as afiliadas locais para forçar as redes nacionais a se alinharem politicamente remonta ao governo de Richard Nixon, mas foi revitalizada sob a atual administração.

Em resposta a essas ações, legisladores do Partido Democrata anunciaram na última quinta-feira (18) que apresentarão um projeto de lei para "proteger a liberdade de expressão", que consideram ameaçada pelo presidente Trump.

Como assistir ao programa

Para os telespectadores nas áreas onde o programa foi censurado, as alternativas para assistir a "Jimmy Kimmel Live!" incluem :

  • Streaming ao vivo: Serviços de TV por streaming como YouTube TV, Hulu + Live TV, DirecTV Stream e Fubo.
  • VOD (Vídeo sob Demanda): O episódio completo fica disponível na manhã seguinte no Hulu e no Disney+.
  • YouTube: O canal oficial do programa no YouTube, com mais de 20 milhões de inscritos, posta os melhores momentos do episódio pouco depois de ir ao ar.

Com informações de: Deadline, CNBC, The New York Times, CNN, O Globo, Folha de S.Paulo, UOL. ■

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