Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Em um movimento classificado por juristas e analistas como um atentado à democracia brasileira, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (17/09/2025) o regime de urgência para um projeto de lei que prevê anistia a participantes de atos golpistas desde 2022. Com 311 votos a favor e 163 contra, a medida acelerará a tramitação do texto, que poderá ser votado diretamente no plenário, sem passar por comissões técnicas.
A manobra, articulada por lÃderes da oposição e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), utiliza como base um projeto do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que prevê anistia ampla a "todos que participaram de manifestações com motivação polÃtica e/ou eleitoral" entre outubro de 2022 e a entrada em vigor da lei. No entanto, o texto final ainda não está definido, e discute-se se incluirá ou não o ex-presidente Jair Bolsonaro, recentemente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
A classificação de "pauta bomba" não é exagerada. A votação de urgência atrasa deliberadamente outras matérias prioritárias, como a taxação de grandes fortunas, bancos e apostas (BBB), essencial para fechar as contas da reforma tributária já aprovada. Enquanto o Congresso se debruça sobre um projeto que perdoa crimes graves, deixa de lado discussões econômicas urgentes que impactam diretamente a vida da população e o equilÃbrio fiscal do paÃs.
Além disso, a medida é vista como uma tentativa desesperada de salvar a candidatura de Bolsonaro em 2026. Com a condenação pelo STF, o ex-presidente está inelegÃvel até 2030, e uma anistia poderia reverter essa situação. LÃderes da oposição, como o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), já comemoraram a aprovação da urgência como um "marco na história do paÃs", enquanto o governador TarcÃsio de Freitas (Republicanos) prometeu que a anistia a Bolsonaro seria seu "primeiro ato" se eleito.
Juristas e especialistas alertam: a anistia a crimes contra a democracia é inconstitucional. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, declara que crimes como tortura, terrorismo e hediondos são inafiançáveis e imprescritÃveis. Por coerência interna, essa vedação se estende aos crimes contra o Estado Democrático de Direito, como definido pela Lei 14.197/2021.
EloÃsa Machado de Almeida, doutora em direito pela USP, é enfática: "Por coerência interna da Constituição, tais crimes seriam impassÃveis de anistia" [citation:4]. A professora Tânia Maria de Oliveira, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, acrescenta que o Congresso "está claramente fazendo uma invasão de uma competência que é do Supremo", referindo-se ao fato de que os processos correm no STF.
O ministro Dias Toffoli, ao anular a anistia concedida a Daniel Silveira por Bolsonaro em 2022, já havia afirmado: "Que interesse público haveria em perdoar aquele que foi devidamente condenado por atentar contra a própria existência do estado democrático?".
Os defensores do projeto, como o relator inicial Rodrigo Valadares (União-SE) e o presidente Hugo Motta, argumentam que a medida busca a "pacificação" do paÃs. No entanto, essa narrativa é duramente criticada por especialistas e parlamentares da base governista.
O cientista polÃtico João Feres Júnior (Iesp-Uerj) adverte: "A libertação dos radicais presos não vai causar qualquer pacificação. Muito pelo contrário, vai sinalizar que é possÃvel atacar as instituições de maneira violenta e sair incólume". O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) foi mais direto: "É um dia triste para a democracia brasileira. Em um momento em que as instituições deveriam ser fortes, vimos o contrário ali dentro, uma rendição a esses golpistas".
A aprovação desta anistia teria impactos profundos e negativos:
O governo Lula já sinalizou que vetará a proposta se aprovada, mas a oposição pode tentar derrubar o veto. A batalha, portanto, ainda não terminou, e a sociedade deve permanecer vigilante.
A votação de urgência para anistiar golpistas é mais do que um erro polÃtico; é um atentado ao povo brasileiro e aos princÃpios democráticos. Ela privilegia interesses eleitoreiros de uma elite insatisfeita com os resultados das urnas em detrimento da segurança jurÃdica, da soberania do Judiciário e do bem-estar coletivo. Enquanto o Congresso perde tempo com manobras perigosas, o Brasil espera por soluções reais para seus problemas.
Com informações de: G1, O Globo, Agência Brasil, Câmara dos Deputados, BBC, CNN Brasil, Gazeta do Povo