Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Um ano após o inÃcio do mais recente capÃtulo do conflito israelense-palestino, a Faixa de Gaza continua mergulhada em uma das maiores crises humanitárias do século XXI. Segundo dados atualizados do Ministério da Saúde de Gaza, o número de palestinos mortos subiu para 64.803 mortos e 164.264 feridos desde 7 de outubro de 2023.
Os bombardeios israelenses não poupam nem mesmo aqueles que buscam ajuda humanitária para sobreviver. Relatórios das Nações Unidas indicam que pelo menos 1.373 palestinos foram mortos enquanto tentavam obter alimentos entre maio e julho de 2025. A maioria dessas mortes (859) ocorreu nas proximidades de sites da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), organização apoiada por Israel e EUA que contorna as operações humanitárias regulares .
A guerra teve inÃcio após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.139 israelenses, na maioria civis. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar massiva sobre a Faixa de Gaza, que já dura quase dois anos.
Estudos independentes publicados na revista The Lancet indicam que o número real de mortos pode ser significativamente maior do que os registros oficiais, considerando que milhares de corpos permanecem sob os escombros e que as interrupções nos serviços de saúde dificultam a contagem precisa. A mesma pesquisa estima que as mortes traumáticas diretas provavelmente excederiam 70.000 até outubro de 2024, com projeções de até 93.000 mortes até maio de 2025 – o que representaria 4-5% da população pré-guerra de Gaza.
Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), foi enfático ao declarar que "se existe vontade polÃtica para permitir lançamentos aéreos – que são altamente custosos, insuficientes e ineficientes – deveria existir vontade polÃtica similar para abrir os cruzamentos rodoviários" . A UNRWA tem 6.000 caminhões carregados com ajuda humanitária bloqueados fora de Gaza, aguardando permissão para entrar no território.
A infraestrutura civil em Gaza foi sistematicamente destruÃda pela campanha israelense. Dados da ONU indicam que quase todas as casas em Gaza foram danificadas ou destruÃdas, junto com 80% das instalações comerciais, 88% das escolas e 50% dos hospitais.
O deslocamento forçado atinge nÃveis históricos. O escritório de direitos humanos da ONU relatou que aproximadamente 30.000 palestinos foram deslocados à força apenas no norte da Cisjordânia desde o inÃcio da operação "Muro de Ferro" em 2025 . Em Gaza, cerca de 80% da população está sob ordens de evacuação ativas.
Muitos dos que conseguiram fugir para o sul descobriram condições tão desesperadoras no campo de al-Mawasi que optaram por voltar para Gaza City sob bombardeios. Faraj Ashour, um palestino deslocado que perdeu as pernas em um ataque israelense, relatou: "Não havia segurança. São todas mentiras. Se vão me matar, que seja em Gaza City".
A campanha militar israelense tem enfrentado crescente condenação internacional. Dois senadores americanos democratas, Chris Van Hollen e Jeff Merkley, emitiram uma declaração conjunta afirmando que "o governo de Netanyahu está implementando um plano para limpar etnicamente a Faixa de Gaza de palestinos" e que "os Estados Unidos são cúmplices".
O escritório de direitos humanos da ONU foi direto ao afirmar que "dirigir intencionalmente ataques contra civis que não participam diretamente das hostilidades e usar a fome como método de guerra constituem crimes de guerra" e que "se cometidos como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra a população civil, podem também constituir crimes contra a humanidade".
Com a data limite para a evacuação palestina de Gaza City estabelecida para 7 de outubro de 2025 – exatamente dois anos após o inÃcio do genocÃdio – e planos israelenses para a ocupação total da faixa, a crise humanitária tende a se aprofundar.
Organizações internacionais alertam que a menos que haja uma mudança imediata na polÃtica de acesso à ajuda humanitária e um cessar-fogo permanente, o mundo testemunhará uma catástrofe humanitária de proporções ainda maiores nos próximos meses.
Com informações de: Al Jazeera, Wikipedia, Reuters, UN News, Anadolu Agency, El Salto Diario, World Socialist Web Site. ■