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Pentágono intensifica envio de tropas federais para estados democratas
Estratégia de Trump mobiliza efetivos militares em Louisiana, Texas e Florida, gerando críticas sobre motivação política e abuso de poder
America do Norte
Foto: https://static.poder360.com.br/2025/09/Donald-Trump-assinando-documento-848x477.jpg
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■   Bernardo Cahue, 13/09/2025
Em uma escalada controversa de sua política de segurança, o governo do presidente Donald Trump ordenou o envio de 1.000 militares para o estado da Louisiana, controlado por republicanos, mas com cidades majoritariamente democratas. A ação, anunciada pelo Departamento de Defesa em setembro de 2025, integra um plano que já destacou tropas em estados como Texas, Florida e Califórnia, sob a alegação de combate à imigração irregular e à criminalidade. Segundo o Pentágono, os soldados atuarão em apoio ao Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro (ICE) no "processamento de migrantes indocumentados em centros de detenção". A Louisiana, assim como Texas e Florida, é governada por republicanos, o que evitou conflitos jurídicos com o governo federal – ao contrário do ocorrido na Califórnia, onde o governador democrata Gavin Newsom moveu uma ação judicial contra Trump por "abuso de poder".

Contexto estratégico e críticas

A estratégia de federalização da segurança não é nova. Desde junho de 2025, Trump mobilizou tropas em cidades democratas como Los Angeles, Chicago e Washington, justificando a ação com discursos sobre "criminalidade descontrolada" e "infernos urbanos". Dados do Departamento de Justiça dos EUA, no entanto, contradizem essa narrativa: Washington registrou em 2024 a menor taxa de criminalidade em 30 anos, com queda adicional de 26% em 2025. Críticos acusam Trump de usar as forças militares para fins políticos. O governador de Illinois, JB Pritzker, classificou o envio de tropas para Chicago como uma "invasão militar" destinada a "testar poderes e criar drama político". Já o prefeito de Chicago, Brandon Johnson, declarou: "Nenhuma força federal em Chicago! Nenhuma força militarizada!".

Implicações legais e preocupações

A medida enfrenta desafios jurídicos. Em setembro, um juiz federal em San Francisco proibiu o uso de tropas para operações policiais em Los Angeles, alertando que Trump busca "criar uma força policial nacional com o presidente como chefe" . Além disso, organizações de direitos civis repudiam o uso da Lei de Enemigos Estrangeiros de 1798, que Trump ameaçou invocar para deportações em massa sem devido processo.

Impacto em comunidades:

Tropas federais têm atuado em operações de imigração em "lugares sensíveis", como escolas e igrejas, revogando políticas protetivas anteriores . Cidades com alta população negra e latina (como Baltimore, Oakland e Los Angeles) são alvos frequentes, levantando acusações de discriminação racial .

Reações internacionais e tensões

A política migratória de Trump gerou protestos internacionais. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, defendeu migrantes mexicanos em Los Angeles, classificando-os como "trabalhadores e honestos" . Internamente, tensões persistem: em junho, confrontos entre manifestantes e tropas em Los Angeles resultaram em 27 detenções e repressão com gás lacrimogêneo.

Próximos passos

O Pentágono sinalizou que o envio de tropas à Louisiana é "a primeira de várias oleadas". Com a Suprema Corte de maioria conservadora tendendo a apoiar Trump, analistas preveem que batalhas legais se intensificarão. O risco, segundo especialistas, é a normalização de um "estado policial" onde o poder executivo ignora limites constitucionais.

Com informações de The Intercept Brasil, Eje Central, Deutsche Welle, Swissinfo, Brennan Center for Justice. ■

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