Estratégia de Trump mobiliza efetivos militares em Louisiana, Texas e Florida, gerando crÃticas sobre motivação polÃtica e abuso de poder
Em uma escalada controversa de sua polÃtica de segurança, o governo do presidente Donald Trump ordenou o envio de
1.000 militares para o estado da Louisiana, controlado por republicanos, mas
com cidades majoritariamente democratas. A ação, anunciada pelo Departamento de Defesa em setembro de 2025, integra um plano que já destacou tropas em estados como Texas, Florida e Califórnia, sob a alegação de combate à imigração irregular e à criminalidade.
Segundo o Pentágono, os soldados atuarão em apoio ao Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro (ICE) no "processamento de migrantes indocumentados em centros de detenção". A Louisiana, assim como Texas e Florida, é governada por republicanos, o que evitou conflitos jurÃdicos com o governo federal – ao contrário do ocorrido na Califórnia, onde o governador democrata Gavin Newsom moveu uma ação judicial contra Trump por "abuso de poder".
Contexto estratégico e crÃticas
A estratégia de federalização da segurança não é nova. Desde junho de 2025, Trump mobilizou tropas em cidades democratas como Los Angeles, Chicago e Washington, justificando a ação com discursos sobre "criminalidade descontrolada" e "infernos urbanos". Dados do Departamento de Justiça dos EUA, no entanto, contradizem essa narrativa: Washington registrou em 2024 a menor taxa de criminalidade em 30 anos, com queda adicional de 26% em 2025.
CrÃticos acusam Trump de usar as forças militares para fins polÃticos. O governador de Illinois, JB Pritzker, classificou o envio de tropas para Chicago como uma "invasão militar" destinada a "testar poderes e criar drama polÃtico". Já o prefeito de Chicago, Brandon Johnson, declarou:
"Nenhuma força federal em Chicago! Nenhuma força militarizada!".
Implicações legais e preocupações
A medida enfrenta desafios jurÃdicos. Em setembro, um juiz federal em San Francisco proibiu o uso de tropas para operações policiais em Los Angeles, alertando que Trump busca "criar uma força policial nacional com o presidente como chefe" . Além disso, organizações de direitos civis repudiam o uso da Lei de Enemigos Estrangeiros de 1798, que Trump ameaçou invocar para deportações em massa sem devido processo.
Impacto em comunidades:
Tropas federais têm atuado em operações de imigração em "lugares sensÃveis", como escolas e igrejas, revogando polÃticas protetivas anteriores .
Cidades com alta população negra e latina (como Baltimore, Oakland e Los Angeles) são alvos frequentes, levantando acusações de discriminação racial .
Reações internacionais e tensões
A polÃtica migratória de Trump gerou protestos internacionais. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, defendeu migrantes mexicanos em Los Angeles, classificando-os como "trabalhadores e honestos" . Internamente, tensões persistem: em junho, confrontos entre manifestantes e tropas em Los Angeles resultaram em 27 detenções e repressão com gás lacrimogêneo.
Próximos passos
O Pentágono sinalizou que o envio de tropas à Louisiana é "a primeira de várias oleadas". Com a Suprema Corte de maioria conservadora tendendo a apoiar Trump, analistas preveem que batalhas legais se intensificarão. O risco, segundo especialistas, é a normalização de um "estado policial" onde o poder executivo ignora limites constitucionais.
Com informações de The Intercept Brasil, Eje Central, Deutsche Welle, Swissinfo, Brennan Center for Justice. ■