Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
A retórica israelense e a realidade no terreno
Enquanto Israel justifica sua ofensiva como "autodefesa", especialistas em genocídio e dados concretos revelam uma realidade de destruição sistemática e fome generalizada
Analise
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQnKPgnIVlge5mMBvSCKLOfVAAV58-s3FOEsm6-wEJBIuzYtQqpQm5pgo4&s=10
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 08/09/2025
Crítica Jornalística: O Genocídio em Gaza e a Retórica Israelense

Genocídio em Gaza: A Retórica Israelense e a Realidade no Terreno

Enquanto Israel justifica sua ofensiva como "autodefesa", especialistas em genocídio e dados concretos revelam uma realidade de destruição sistemática e fome generalizada

As alegações apresentadas por Israel para continuar sua ofensiva em Gaza têm sido amplamente questionadas por especialistas internacionais, organizações de direitos humanos e estudiosos do genocídio. A International Association of Genocide Scholars (IAGS), a principal associação mundial de especialistas em genocídio, declarou que as ações de Israel em Gaza atendem à definição legal de genocídio conforme a convenção da ONU. A resolução da IAGS, apoiada por 86% de seus membros votantes, detalha uma série de ações—como ataques generalizados à infraestrutura civil, discursos de ódio de líderes israelenses e a demolição quase total de habitações—que constituem crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

Israel, por sua vez, nega veementemente essas acusações, classificando-as como baseadas em "mentiras do Hamas" e como um "embaraço para a profissão jurídica". O governo israelense afirma que suas ações são justificadas como autodefesa após os ataques de 7 de outubro de 2023, nos quais militantes do Hamas mataram aproximadamente 1.200 israelenses e tomaram 251 reféns. No entanto, a IAGS e outros críticos argumentam que a resposta israelense não se dirigiu apenas ao Hamas, mas sim à população inteira de Gaza, com intenção de destruí-la, total ou parcialmente.

Os horrores da guerra em Gaza são evidentes nos números assombrosos de vítimas:

  • Mais de 66.700 palestinos mortos até setembro de 2025, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
  • Estudos independentes, incluindo uma análise publicada na The Lancet, sugerem que o número real pode ser ainda maior, com estimativas de 93.000 mortes até maio de 2025 — o que representaria 4-5% da população pré-guerra de Gaza.
  • Mais de 50.000 crianças foram mortas ou feridas, de acordo com a UNICEF, impactando profundamente a capacidade de sobrevivência e regeneração dos palestinos em Gaza.
  • Até 80% das vítimas palestinas são civis, de acordo com múltiplos estudos acadêmicos.

Além das mortes diretas por violência, a fome tornou-se uma arma letal. Israel, como potência ocupante que controla todas as passagens de fronteira para Gaza, é responsável por proteger a vida civil sob a lei internacional, incluindo a prevenção da fome. No entanto:

  • Em 2 de setembro de 2025, 13 palestinos morreram de fome apenas naquele dia.
  • Isso significa que mais do que o dobro de palestinos morrem de fome em Gaza a cada dia em comparação com o ataque ao ônibus em Jerusalém em 8 de setembro de 2025, que resultou em 6 mortes.
  • Um monitor de alimentos apoiado pela ONU confirmou que a fome já ocorria em partes de Gaza em agosto de 2025, acusando Israel de causá-la através de restrições contínuas à entrada de ajuda alimentar e médica.

A retórica israelense de "autodefesa" é further contradita pelas declarações de seus líderes. A resolução da IAGS destaca declarações de líderes israelenses que desumanizam os palestinos em Gaza, caracterizando-os todos como inimigos, juntamente com promessas de "nivelar Gaza" e transformá-la em um "inferno". Além disso, há apoio entre líderes israelenses para a expulsão forçada de todos os palestinos de Gaza.

O uso da fome como arma e a destruição sistemática de infraestrutura civil — hospitais, escolas, universidades e sistemas de água—são práticas que se enquadram na definição de genocídio. Essas ações não são efeitos colaterais, mas sim elementos de uma estratégia calculada para tornar Gaza inabitável e forçar a desparecimento de sua população.

Enquanto isso, a comunidade internacional permanece em grande parte paralisada. O Tribunal Internacional de Justiça está considerando um caso movido pela África do Sul em 2023, argumentando que Israel está cometendo genocídio, mas concedeu a Israel um prazo até janeiro de 2026 para apresentar sua defesa. Esta extensão é um luxo que o povo de Gaza não pode pagar, pois mais vidas são perdidas a cada dia devido à violência e à fome imposta.

Além disso, a narrativa do Holocausto está sendo instrumentalizada para silenciar críticas a Israel. O museu do Holocausto em Los Angeles, por exemplo, enfrentou rretaliações após postar uma mensagem no Instagram afirmando que "Never again não pode significar apenas never again para judeus". A pressão pró-Israel forçou o museu a retirar a postagem, focando a desumanização histórica que palestinos enfrentam. Essa tentativa de monopolizar o sofrimento e evitar escrutínio ética é perigosa e antiética.

Em conclusão, as alegações de autodefesa de Israel não resistem ao escrutínio dos fatos no terreno. A escala de mortes, a proporção de civis, a destruição de infraestrutura essencial e o uso de fome como arma apontam para uma realidade de genocídio. É imperativo que a comunidade internacional atue de forma decisiva para parar esta máquina de morte e garantir que Never Again signifique Never Again para todos, inclusive os palestinos.

Com informações de: BBC, Al Jazeera, New Yorker, Wikipedia, Reuters, CNN, AJC. ■

Mais Notícias