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Planos de paz de Putin inclui ONU e forças de pacificação de Brasil e China
Proposta russa para fim do conflito inclui veto à OTAN, tropas de paz lideradas por Brasil e China, e cessão de territórios ocupados – com forte oposição ucraniana e ceticismo ocidental
Leste Europeu
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■   Bernardo Cahue, 21/08/2025

Em meio às discussões pós-cúpula do Alasca entre Vladimir Putin e Donald Trump, detalhes do plano russo para encerrar a guerra na Ucrânia começam a emergir. A proposta, que descarta totalmente a presença de forças da OTAN em solo ucraniano, prevê sua substituição por tropas de paz das Nações Unidas, potencialmente incluindo contingentes do Brasil e da China.

O cerne da proposta russa, conforme relatado por fontes próximas às negociações, gira em torno da anexação formal de territórios ucranianos já ocupados por tropas russas, particularmente as regiões de Donetsk e Luhansk (conjuntamente conhecidas como Donbas), onde há uma significativa população de língua russa. Putin justifica essa demanda com base em laços históricos e culturais que estas regiões teriam com a Rússia.

Principais pontos do plano russo according to as fontes:

  • Anexação territorial: A Rússia exigiria o controle permanente sobre quase todo o Donbas e o reconhecimento formal de sua soberania sobre a Crimeia, anexada em 2014. Em troca, oferece devolver pequenos bolsões de território nas regiões de Sumy e Kharkiv.
  • Forças de paz da ONU: Substituição de qualquer força de paz liderada pela OTAN por uma missão das Nações Unidas. Putin especificamente mencionou a possibilidade de envolvimento de exércitos do Brasil e da China nesta missão.
  • Status neutro para a Ucrânia: Proibição permanente de a Ucrânia ingressar na aliança militar OTAN, limitando severamente sua capacidade de defesa e integração com o Ocidente.
  • Garantias de segurança assimétricas: O Kremlin busca ter poder de veto sobre quaisquer garantias de segurança ocidentais oferecidas à Ucrânia, potencialmente enfraquecendo-as e permitindo à Rússia ditar os termos da defesa ucraniana.
  • Recursos naturais: Contrariando promessas anteriores do presidente Zelensky, a proposta destaca a cessão de 0% das terras raras da Ucrânia para os EUA, embora deixe aberta a possibilidade de negociações futuras sobre estes recursos estratégicos.
  • Concessões linguísticas e religiosas: Exigência de status oficial para a língua russa em partes da Ucrânia e liberdade de operação para a Igreja Ortodoxa Russa, atualmente banida por suas alegadas conexões com o Kremlin.

Esta proposta enfrenta uma forte oposição por parte do governo ucraniano. O presidente Volodymyr Zelensky já declarou publicamente que não cederá território que não esteja já sob ocupação russa, e que qualquer acordo que entregue territórios violaria a constituição ucraniana.

Analistas veem o plano como uma tentativa de legalizar ganhos territoriais obtidos pela força e consolidar a influência russa sobre a Ucrânia. Especialistas alertam que conceder à Rússia veto sobre as garantias de segurança ucranianas, como foi proposto no formato de Istambul em 2022, criaria uma arquitetura de segurança fracassada desde o início, deixando a Ucrânia vulnerável a uma futura agressão.

O envolvimento proposto de Brasil e China em uma missão de paz reflete um esforço contínuo do Kremlin de deslocar a mediação do conflito para fora das esferas de influência ocidentais tradicionais e para organismos ou países vistos como mais favoráveis ou neutros em relação às suas ambições.

Enquanto isso, a economia russa mostra sinais de tensão significativa devido aos custos da guerra, com um déficit orçamentário que já supera a meta anual em 25% apenas nos primeiros oito meses de 2025. Grandes parcelas do orçamento federal são direcionadas para despesas de defesa e segurança nacional, sobrecarregando os serviços civis. Esta pressão econômica pode estar influenciando a disposição de Moscou para negociar, embora suas exigências permaneçam maximalistas.

O caminho para a paz permanece incerto. Com Zelensky e Putin possivelmente se encontrando em breve, e com a pressão internacional aumentando, o mundo aguarda para ver se estas propostas formarão a base de um acordo duradouro ou se são meramente um reflexo das irreconciliáveis posições de ambos os lados.

Com informações de Reuters, O Globo, Institute for the Study of War (ISW), UOL, BBC, Veja, CNN, Deutsche Welle (DW), The Moscow Times

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