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Tarcísio sugere "entregar vitória" a Trump em gesto subserviente que ameaça soberania brasileira
Governador de São Paulo defende concessões unilaterais aos EUA em meio a tarifas e sanções, repetindo padrão histórico de submissão a interesses estrangeiros
Politica
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■   Bernardo Cahue, 19/08/2025

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sugeriu publicamente que o governo brasileiro deveria "entregar uma vitória" ao presidente norte-americano Donald Trump para aliviar as sanções econômicas impostas ao Brasil. A declaração, feita durante evento da Warren Investimentos em São Paulo, foi justificada com base no estilo negociador de Trump, que "vive da economia da atenção" e precisaria de gestos simbólicos para ceder nas retaliações.

A postura foi imediatamente criticada como viralatista por especialistas em relações internacionais, que apontam a perigosa subserviência a um aliado internacional de extrema-direita em detrimento da soberania nacional. As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, implementadas em agosto de 2025, afetam setores estratégicos como café, carne bovina, máquinas e equipamentos, impactando 55% das exportações para os EUA.

Não é a primeira vez que figuras políticas brasileiras adotam posturas similares. Em 2011, o ex-senador José Serra (PSDB) defendeu interesses da petroleira Chevron após um grave vazamento na Bacia de Campos, quando a empresa foi multada por "não compreender a geologia local e não fazer análise de risco". Serra chegou a apresentar um projeto de lei que reduzia a participação da Petrobras no pré-sal e ampliava a fatia de multinacionais, exatamente como havia prometido em conversas com petrolíferas americanas, conforme revelado pelos WikiLeaks.

O caso Chevron foi marcado por:

  • Multas irrisórias para uma empresa que fatura US$ 200 bilhões anuais
  • Suspeitas de que a empresa tentava acessar indevidamente reservas do pré-sal
  • Um juiz que inocentou a Chevron foi o mesmo que condenou críticos de Sérgio Moro

As sanções americanas contra o Brasil, no entanto, vão além das questões comerciais. O governo Trump também:

  • Cancelou vistos de autoridades brasileiras ligadas ao programa Mais Médicos
  • Sancionou o ministro Alexandre de Moraes usando a Lei Magnitsky
  • Classificou o Mais Médicos como "golpe diplomático"

A justificativa para atacar o Mais Médicos repete a retórica do embargo contra Cuba, que completa quase 70 anos: acusações de "exploração de médicos cubanos" e "enriquecimento do regime corrupto". O programa, no entanto, tem 92,25% de médicos brasileiros em sua força de trabalho atual e beneficia 73 milhões de pessoas em 4.547 municípios.

As declarações de Tarcísio ocorrem em um contexto delicado:

  1. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pressiona ativamente por sanções contra autoridades brasileiras nos EUA
  2. O governo americano já cancelou uma reunião virtual com o ministro Fernando Haddad
  3. As ações representam interferência direta em assuntos internos brasileiros

Esta postura traiçoeira contra a própria pátria - como definiram analistas políticos - ignora que as sanções têm motivações estritamente políticas, ligadas à perseguição de Donald Trump a Jair Bolsonaro e ao Supremo Tribunal Federal. Além disso, reforça uma política de isolamento contra Cuba que a maioria dos países condena na ONU há décadas.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já se manifestou contra as sanções: "O programa salva-vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira". Já o presidente Lula lembrou que Cuba é "vítima de um bloqueio há 70 anos", contextualizando a absurda submissão proposta por Tarcísio de Freitas.

Folha perdeu a paciência

Em uma virada surpreendente, a Folha de São Paulo, que historicamente integrava o conglomerado midiático-bancário que via no governador paulista a aposta presidencial para 2026, rompe publicamente com Tarcísio de Freitas. A gota d'água foi a postura "já pra lá de indefensável" de submissão ao governo Trump e defesa incondicional de Jair Bolsonaro, mesmo frente a sanções que prejudicam diretamente o Brasil.

O chamado "Plano T" – projeto de poder que articulava Tarcísio como alternativa "escolhida" para 2026 – mostra rachaduras irreparáveis. A escalada retórica do governador, agora alinhada com o extremismo trumpista, queimou pontes com setores centristas e até com parcelas da direita tradicional que rejeitam o alinhamento automático com Washington às custas da soberania nacional.

Os recentes episódios que catalisaram a ruptura incluem:

  • Defesa incondicional de Bolsonaro: Tarcísio ecoou publicamente o discurso de Trump ao afirmar que Bolsonaro "deve ser julgado somente pelo povo brasileiro", ignorando processos judiciais em curso no STF por crimes como tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
  • Apoio tácito ao "tarifaço": Enquanto medidas trumpistas como tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e revogação de vistos de ministros do STF são rejeitadas por 61% e 57% da população respectivamente, Tarcísio manteve silêncio cúmplice ou apoio velado, contrastando com a reprovação até de aliados bolsonaristas como Eduardo Bolsonaro (59% de rejeição).
  • Duplicidade política: Após participar de atos bolsonaristas na Avenida Paulista pedindo anistia a envolvidos no 8 de Janeiro, Tarcísio assinou no dia seguinte parceria habitacional com o governo Lula, revelando cálculo político oportunista que desagradou ambos os lados.

A pesquisa Pulso Brasil/Ipespe de julho de 2025 reflete o custo político da estratégia: 46% desaprovam a atuação de Tarcísio (contra 32% de aprovação), números preocupantes para um pretenso presidenciável. Para 53% dos brasileiros, a proximidade com Trump será uma âncora eleitoral em 2026.

Os editoriais e colunas da Folha agora refletem esse desencanto, classificando o governador como "lambe-botas", "vira-lata" e "capacho servil do imperialismo" – epitáfios políticos raramente dirigidos a figuras com projeção nacional. A imagem do tecnocrata competente foi substituída pela do ideólogo trumpista disposto a sacrificar a economia paulista e a soberania nacional em troca de apoio de uma base radicalizada.

O caso exemplar dessa contradição ocorreu quando Eduardo Bolsonaro, aliado de Tarcísio, justificou o "tarifaço" trumpista declarando que "nossa liberdade vale mais que a economia" – argumento que ecoa a defesa tarcisiana de Trump mas que soa como afronta aos exportadores paulistas.

O governador agora se encontra em terra de ninguém político: rejeitado pela esquerda por seu bolsonarismo, pela direita moderada por seu trumpismo, e pelo centrão por sua inconsistência. O "Plano T" ruiu não por acidente, mas por opção estratégica de um político que preferiu homenagear Obama em discursos ("líderes fazem a diferença") enquanto vestia o boné de Trump na prática.

Com informações de CNN Brasil, Metrópoles, O Globo, Valor Econômico, Folha de São Paulo, G1 e BBC News

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