Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O governador de São Paulo, TarcÃsio de Freitas (Republicanos), sugeriu publicamente que o governo brasileiro deveria "entregar uma vitória" ao presidente norte-americano Donald Trump para aliviar as sanções econômicas impostas ao Brasil. A declaração, feita durante evento da Warren Investimentos em São Paulo, foi justificada com base no estilo negociador de Trump, que "vive da economia da atenção" e precisaria de gestos simbólicos para ceder nas retaliações.
A postura foi imediatamente criticada como viralatista por especialistas em relações internacionais, que apontam a perigosa subserviência a um aliado internacional de extrema-direita em detrimento da soberania nacional. As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, implementadas em agosto de 2025, afetam setores estratégicos como café, carne bovina, máquinas e equipamentos, impactando 55% das exportações para os EUA.
Não é a primeira vez que figuras polÃticas brasileiras adotam posturas similares. Em 2011, o ex-senador José Serra (PSDB) defendeu interesses da petroleira Chevron após um grave vazamento na Bacia de Campos, quando a empresa foi multada por "não compreender a geologia local e não fazer análise de risco". Serra chegou a apresentar um projeto de lei que reduzia a participação da Petrobras no pré-sal e ampliava a fatia de multinacionais, exatamente como havia prometido em conversas com petrolÃferas americanas, conforme revelado pelos WikiLeaks.
O caso Chevron foi marcado por:
As sanções americanas contra o Brasil, no entanto, vão além das questões comerciais. O governo Trump também:
A justificativa para atacar o Mais Médicos repete a retórica do embargo contra Cuba, que completa quase 70 anos: acusações de "exploração de médicos cubanos" e "enriquecimento do regime corrupto". O programa, no entanto, tem 92,25% de médicos brasileiros em sua força de trabalho atual e beneficia 73 milhões de pessoas em 4.547 municÃpios.
As declarações de TarcÃsio ocorrem em um contexto delicado:
Esta postura traiçoeira contra a própria pátria - como definiram analistas polÃticos - ignora que as sanções têm motivações estritamente polÃticas, ligadas à perseguição de Donald Trump a Jair Bolsonaro e ao Supremo Tribunal Federal. Além disso, reforça uma polÃtica de isolamento contra Cuba que a maioria dos paÃses condena na ONU há décadas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já se manifestou contra as sanções: "O programa salva-vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira". Já o presidente Lula lembrou que Cuba é "vÃtima de um bloqueio há 70 anos", contextualizando a absurda submissão proposta por TarcÃsio de Freitas.
Em uma virada surpreendente, a Folha de São Paulo, que historicamente integrava o conglomerado midiático-bancário que via no governador paulista a aposta presidencial para 2026, rompe publicamente com TarcÃsio de Freitas. A gota d'água foi a postura "já pra lá de indefensável" de submissão ao governo Trump e defesa incondicional de Jair Bolsonaro, mesmo frente a sanções que prejudicam diretamente o Brasil.
O chamado "Plano T" – projeto de poder que articulava TarcÃsio como alternativa "escolhida" para 2026 – mostra rachaduras irreparáveis. A escalada retórica do governador, agora alinhada com o extremismo trumpista, queimou pontes com setores centristas e até com parcelas da direita tradicional que rejeitam o alinhamento automático com Washington à s custas da soberania nacional.
Os recentes episódios que catalisaram a ruptura incluem:
A pesquisa Pulso Brasil/Ipespe de julho de 2025 reflete o custo polÃtico da estratégia: 46% desaprovam a atuação de TarcÃsio (contra 32% de aprovação), números preocupantes para um pretenso presidenciável. Para 53% dos brasileiros, a proximidade com Trump será uma âncora eleitoral em 2026.
Os editoriais e colunas da Folha agora refletem esse desencanto, classificando o governador como "lambe-botas", "vira-lata" e "capacho servil do imperialismo" – epitáfios polÃticos raramente dirigidos a figuras com projeção nacional. A imagem do tecnocrata competente foi substituÃda pela do ideólogo trumpista disposto a sacrificar a economia paulista e a soberania nacional em troca de apoio de uma base radicalizada.
O caso exemplar dessa contradição ocorreu quando Eduardo Bolsonaro, aliado de TarcÃsio, justificou o "tarifaço" trumpista declarando que "nossa liberdade vale mais que a economia" – argumento que ecoa a defesa tarcisiana de Trump mas que soa como afronta aos exportadores paulistas.
O governador agora se encontra em terra de ninguém polÃtico: rejeitado pela esquerda por seu bolsonarismo, pela direita moderada por seu trumpismo, e pelo centrão por sua inconsistência. O "Plano T" ruiu não por acidente, mas por opção estratégica de um polÃtico que preferiu homenagear Obama em discursos ("lÃderes fazem a diferença") enquanto vestia o boné de Trump na prática.
Com informações de CNN Brasil, Metrópoles, O Globo, Valor Econômico, Folha de São Paulo, G1 e BBC News
■