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Protestos por impeachment e crise econômica abalam presidência dos EUA
Cobrado nas ruas pelo tarifaço inflacionário e pela diplomacia fracassada com Putin, presidente enfrenta revolta até de aliados históricos
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 18/08/2025
Milhares de norte-americanos tomaram as ruas de Washington e Nova Iorque neste sábado (16/8) em protestos que exigiram o impeachment do presidente Donald Trump. Os manifestantes, organizados pelo coletivo "Fifty Fifty One" sob o lema "Rage Against the Regime", apontaram a combinação explosiva entre a crise inflacionária agravada pelas tarifas comerciais e a postura submissa diante do presidente russo Vladimir Putin no Alasca.

A Inflação como Combustível Social

O "tarifaço" de Trump – que impôs taxas de até 50% sobre produtos brasileiros e europeus – revelou-se um tiro no pé. Embora vise supostamente proteger a indústria doméstica, as tarifas amplificaram a inflação nos EUA, encarecendo alimentos, aço e bens de consumo. O economista Paul Krugman, Nobel de Economia, qualificou as medidas como "megalomaníacas" e motivo suficiente para impeachment: "Trump imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme [...] enquanto estrangula o bolso dos americanos".

Os efeitos perversos já são sentidos em cadeia:

  • Exportadores: Empresas agrícolas e de tecnologia perdem competitividade com as retaliações estrangeiras, como as tarifas recíprocas do Brasil via OMC;
  • Trabalhadores: Custos de produção sobem, ameaçando empregos e reajustes salariais;
  • Consumidores: Preços de eletrônicos, carnes e metais disparam nas prateleiras.

A Traição aos Aliados: O Encontro que Incendiou a Base

O encontro com Putin no Alasca (15/8) aprofundou a crise. Após prometer um acordo "histórico" para a Ucrânia, Trump voltou de mãos vazias – e com um discurso que ecoou as narrativas do Kremlin. Em contraste com sua postura agressiva contra líderes ucranianos ou sul-africanos, o republicano agiu com deferência ao autocrata russo:

  • Tapete vermelho e cumplicidade: Putin entrou na limusine presidencial de Trump após um aperto de mãos sorridente, gesto lido como submissão;
  • Zero avanços: Não houve cessar-fogo, retirada de tropas ou garantias à soberania ucraniana. Trump limitou-se a chamar o diálogo de "extremamente produtivo";
  • Revés estratégico: Aliados europeus, como o ex-embaixador alemão Wolfgang Ischinger, declararam: "Um claro 1 a 0 para Putin – sem cessar-fogo, sem paz".

A Hipocrisia Midiática: Do Alasca aos Memes

Enquanto Putin discursava no Alasca, criticando ferozmente a "ameaça existencial" da expansão da OTAN e alertando que "se a Ucrânia ingressasse na aliança, a guerra seria contra os EUA", a mídia trivializou o momento:

  • Imprensa brasileira: Reduziu as críticas de Putin à "algazarra" da imprensa americana a memes sobre suas "caras e bocas", ignorando o tom beligerante;
  • Mídia norte-americana: Referiu-se ao Alasca como local onde Trump "voltaria aos EUA", apagando o fato de que o território foi vendido pela Rússia em 1867 – ironicamente lembrado por Putin: "O Alasca já foi nosso".

O Preço Político: Do Povo aos Parlamentares

Ao fracassar com Putin e inflacionar a economia, Trump feriu sua imagem de "negociador implacável". A revolta transbordou até entre apoiadores, que viram no Alasca uma capitulação inaceitável. Com protestos se espalhando por 50 estados e economistas apontando o impeachment como solução, a pressão só aumenta. Como gritava um cartaz em Nova Iorque: "Tarifas + Putin = Traição".

Com informações de: BBC, CBN, CNN Brasil, DW, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, UOL, Wikipédia

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