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Bancos Centrais aceleram desdolarização em meio à ascensão dos BRICS
Polônia, aliada dos EUA, lidera compras históricas de ouro enquanto grupo de economias emergentes avança em sistemas alternativos ao dólar
Economia
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■   Bernardo Cahue, 15/08/2025

Bancos centrais de todo o mundo estão executando a maior estratégia de desdolarização das últimas décadas. Entre 2022 e 2024, adquiriram 3,5 mil toneladas de ouro – volume igual ao dos oito anos anteriores combinados. Este movimento reduziu a participação do dólar nas reservas globais de 54% para 48%, enquanto o ouro saltou para 20% do total de ativos.

O fenômeno ocorre paralelamente à desaceleração da moeda norte-americana. O Bank of America emitiu alerta sobre um "colapso histórico do dólar", atribuído a três fatores-chave:

  • Déficit fiscal recorde dos EUA desde a Segunda Guerra
  • Expansão de criptomoedas e projetos estatais de moedas digitais
  • Estratégia de desdolarização coordenada por China, Rússia e Arábia Saudita

Polônia: O Aliado Ocidental na Vanguarda do Ouro

Surpreendentemente, a Polônia – país de extrema-direita e aliado estratégico dos EUA – emergiu como o maior comprador global de ouro. Somente no primeiro trimestre de 2025, adquiriu 48,6 toneladas, totalizando 496,81 toneladas em reservas. O Banco Nacional da Polônia (NBP) acumulou 268 toneladas nos últimos dois anos, superando potências como Reino Unido e Espanha.

A estratégia tem motivações geopolíticas claras: 80% desse ouro está armazenado em Nova Iorque e Londres para "facilidade de transação em crises". Analistas vinculam a política à proximidade com o conflito Ucrânia-Rússia e à busca por ativos imunes a sanções.

Ouro em Disparada, Dólar em Queda Livre

Os preços do ouro bateram recordes históricos em 2025:

  • US$ 3.500/onça em abril [citation:4]
  • Valorização de 39,77% no último ano
  • Cotado a US$ 3.341,96/onça em 15/08/2025

Já o dólar enfrenta pressões inflacionárias agravadas pelas tarifas de Trump. O índice de preços ao produtor norte-americano registrou em julho seu maior crescimento em três anos.

BRICS: A Arquitetura Financeira Paralela

O bloco (agora com 11 membros e 10 parceiros) avança em alternativas ao dólar, embora com cautela:

  • Moeda Comum: Rejeitada por Rússia e Índia como "prematura", segundo Vladimir Putin
  • Sistema de Pagamentos: Desenvolvimento do BRICS Pay para transações em moedas locais
  • Empréstimos em Moedas Locais: 30% dos financiamentos do Novo Banco de Desenvolvimento já usam alternativas ao dólar

Trump reagiu com ameaças de tarifas de 10% contra países do BRICS que promovam "políticas anti-americanas", enquanto Brasil e China estabeleceram acordo de swap cambial de US$ 26 bilhões para evitar o dólar.

Obstáculos Estruturais

A hegemonia dólar mantém raízes profundas:

  • Integração do sistema financeiro global lastreado em dólar
  • Falta de consenso no BRICS (China detém US$ 759 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA)
  • Comércio intra-BRICS representa apenas 18% do total, contra 64% da UE pré-euro

Mesmo assim, bancos centrais seguem diversificando: Irã converteu 20% das reservas em ouro, e Brasil reduziu participação em títulos americanos de 4,2% (2014) para 2,3% (2024).

Maiores Reservas de Ouro Globais (2025)

  • Estados Unidos: 8.133,46 toneladas
  • Alemanha: 3.350,25 toneladas
  • Itália: 2.451,84 toneladas
  • França: 2.437,00 toneladas
  • Polônia: 496,81 toneladas (12º lugar)

Com informações de: SPDiario.com.br, Forbes Portugal, CNN Brasil, Trading Economics, Monitor Mercantil, Forex Club, Stimson.org, Jornal da Unesp

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