Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Bolsonaristas "sequestram" o Congresso em protesto por Bolsonaro e anistia golpista
Obstrução coordenada paralisa votações por 24 horas; governo acusa tática de chantagem e ameaça punições
Politica
Foto: https://rapidonoar.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Oposicao-ocupa-plenarios.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 05/08/2025

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado nesta terça-feira (5/8), travando os trabalhos legislativos em protesto contra a prisão domiciliar do líder e para exigir a votação de um "pacote da paz" que inclui anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF). A ação, rebatizada por governistas de "sequestro do Parlamento", expôs a fratura institucional no Brasil.

Os parlamentares da oposição – incluindo 16 deputados e 13 senadores identificados – usaram esparadrapos na boca como símbolo de suposta censura e anunciaram esquema de revezamento para manter a ocupação até quarta-feira (6). O bloqueio só foi encerrado após compromisso de reunião com os presidentes das Casas, Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado).

As três exigências da oposição:

  • Anistia "ampla e irrestrita" aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, projeto parado na Câmara desde 2024 por falta de apoio;
  • Votação do impeachment de Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro por tentativa de golpe;
  • Aprovação da PEC que elimina o foro privilegiado para parlamentares, medida que tiraria processos de figuras como Bolsonaro da alçada do STF.

Nenhuma das propostas-chave conta com maioria garantida. A anistia é rejeitada pela base governista e parte da centro-direita, enquanto o impeachment de Moraes carece de sustentação no Senado. O próprio presidente Alcolumbre resiste a pautar o tema.

Reações inflamadas dividem o Congresso:

  • Críticas governistas: Líderes petistas e de esquerda compararam o ato à invasão de 8/1/2023. O vice-líder da maioria, Lindbergh Farias (PT-RJ), declarou: "É um sequestro do Parlamento [...] chantagem contra o país", defendendo punições no Conselho de Ética.
  • Defesa da oposição: Rogério Marinho (PL-RN) justificou: "Nós só queremos votar [...] o Legislativo está irrelevante". Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alegou busca por "pacificação".
  • Presidências do Congresso: Alcolumbre condenou a "ocupação alheia aos princípios democráticos", enquanto Motta cancelou as sessões e convocou líderes para mediar a crise.

A obstrução bloqueou projetos prioritários do governo, como a isenção do IR para assalariados de baixa renda. O líder governista Randolfe Rodrigues (PT-AP) alertou: "O Brasil tem pressa", acusando a oposição de repetir "o 8 de Janeiro".

Com informações de: G1, Senado Federal, UOL, PCDOB na Câmara, BNT Online, Brasil de Fato, O Tempo

Mais Notícias