Enquanto o Executivo tenta aliviar o bolso do cidadão, o Congresso atira contra a Constituição e infla seus próprios privilégios: 18 cadeiras a mais para deputados, desoneração de bilionários e aumento da conta de luz
Politica
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■ Bernardo Cahue, 27/06/2025
A capital federal vive sob o signo do terremoto institucional. O governo anuncia medidas para desonerar quem ganha até cinco mil reais e taxar grandes fortunas — uma tentativa de corrigir o abismo social com polÃticas progressistas. A resposta do Congresso, porém, ecoa como um golpe de cassetete no povo brasileiro. Em menos de 24 horas, deputados e senadores aprovaram a derrubada simbólica de um decreto presidencial que aumentava o IOF para operações financeiras de bilionários, medida que arrecadou um bilhão em apenas um mês.
O gesto, além de inconstitucional — já que a Carta Magna reserva ao Executivo a prerrogativa sobre alÃquotas de impostos —, soa como ameaça prévia. Os 378 votos a favor ultrapassam a marca necessária para um impeachment, num recado nÃtido de força. Enquanto isso, as mesmas mãos que travam a taxação de ricos ampliam seus próprios privilégios: criaram 18 novas vagas de deputados a partir de 2027. Um fardo extra aos cofres públicos, que pode ser considerada também uma pedra no sapato da recém-conquistada e tão sonhada Reforma Tributária, após longos 40 anos de espera para ser sancionada.
Nos bastidores, a motivação é clara. LÃderes como Arthur Lira, Hugo Motta e Davi Alcolumbre — investigados em esquemas bilionários — articulam-se sob pressão de empresários que rejeitam qualquer redistribuição de renda. O jogo de poder ignora o cidadão: no mesmo dia em que o Legislativo barrou impostos sobre fortunas, aprovou aumento na conta de luz.
A cobertura midiática, por vezes eufórica com a "derrota" do governo, esquece que a queda do Executivo é a queda do paÃs. Até vozes crÃticas como Miriam Leitão reconhecem: a manobra congressual é ilegÃtima, custosa e de costas para o povo. Enquanto isso, números econômicos robustos — menor desemprego da história, crescimento recorde — são ofuscados por um Congresso que insiste em governar para si.
Resta saber se o Palácio do Planalto recorrerá ao STF para conter o arbÃtrio ou se a sombra de 2015, quando o Legislativo consumou um golpe sob aplausos, voltará a pairar. A democracia brasileira, mais uma vez, joga xadrez com peças marcadas. E quem paga a conta, como sempre, é o povo.
Com informações de G1, Brasil de Fato, Plantão Brasil, DCM.■